Essa palavra por si só provavelmente dirá muito mais coisas do que eu possa
vir a escrever nesse texto: ensimesmamentos. O que me ensinam os meus diálogos
comigo mesmo? Tenho cavoucado fundo nesse arenoso terreno e só acho lâmpadas
velhas sem gênios dentro. Mesmo assim invento perspectivas porque acredito que
seguir vivendo ainda me levará a algum lugar. Quando bebia acreditava mais, ou
me enganava mais, sei lá, mas era mais divertido. Por outro lado não estaria
escrevendo isso se estivesse bebendo com o vigor de antes e talvez nunca
tivesse me dado conta que desacreditar também pode ser bem construtivo. Antes
desse título, pensei em “crenças” depois em “frustrações” e na bifurcação dos
caminhos vim parar aqui. Sério, tenho desacreditado em muitas coisas, mas com
muito mais embasamento. Também entendi que meu convívio com as pessoas tem sido
complicado, não porque baseado na minha descrença nos seres, - ainda acredito
em alguns – mas porque tenho compreendido suas fraquezas e desentendido as
minhas. A equação é simples: menos álcool, menos convívio social, mais tempo de
solidão igual a mais enfrentamento comigo mesmo. Vixe, esse blog, além de uma
grande quantidade de delírios, vai ser um auto análise da porra. Muitas das
minhas letras de música também o são, então que assim seja. Voltando aos meus
ensimesmamentos, ontem eu tive um diálogo profundo com minha própria imagem no
espelho. Procurei perguntar com minha voz e responder pra mim mesmo com uma outra
voz que fosse convincente de que quem estava respondendo as minhas indagações
era o mais sincero dos meus eus. Depois de muitas perguntas com respostas meio
nebulosas sobre minhas frustrações com os meus projetos, com as pessoas, sobre
como seguir em frente sem o embelezamento do álcool, sobre como manter o foco
tendo que fazer mil coisas que querem a quase todo instante me tirar do foco,
sobre como persistir com os exercícios para baixar o colesterol e sobre mais um
tanto de coisas que estão me inquietando, vou resumir o monobiálogo com meu eu
mais maduro e consciente que estava na imagem do espelho:
Eu: - Tá, mas afinal quem sou eu?
Eu-espelho: - Você é isso que está vendo refletido
no espelho, só que piorado.
Eu: - Então quer dizer que eu nunca vou ser essa
pessoa plena que você é?
Eu-espelho:
- Isso.
Mandei o meu eu maduro e consciente se fudê e
quebrei o espelho. Aquele eu não existe mais e provavelmente você me encontre
escabelado pela rua com os mesmos ensimesmamentos de antes.