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Foto de Kathleen Kunath . Rodrigo Caffer [Ele]

segunda-feira, 13 de abril de 2015

4ª Semana: Manifestações


Provavelmente em decorrência dos meus delírios é que tenho perdido um pouco a noção do tempo. Este texto era para ter sido feito e publicado na semana passada, mas se o tivesse feito, não teria tido a chance de um flash back psicodélico que tive vendo televisionadamente as manifestações. Minha deturpada visão me trouxe num fluxo temporal para um jogo da seleção brasileira contra uns jogadores que gostam de chucrute, mas que se esbaldaram no acarajé e que teve um final trágico para nós. Mais uma vez estavam todos lá na rua de verde e amarelo by CBF indo para um estádio no qual nunca chegariam. Todos apáticos com rompantes esparsos de fúria para qualquer coisa vermelha que surgisse. Tem alguns que até agora estão lá xingando um pobre hidrante vermelho de baixa estatura que nem pode se mover para fugir da turba ensandecida. A citada apatia continuava mesmo com a euforia envernizada dos repórteres dos noticiários que, embora não tenham entrevistado uma pessoa sequer durante toda a cobertura, falavam das causas e das palavras de ordem daquele pacifico e democrático evento de manifestação dominical. Para mim isso já era um delírio: manifestação domingo? Eu olhava aquilo tudo no tubo de imagem a espera que algo grandioso acontecesse. Afinal de contas, eram câmeras aéreas mostrando a marcha patriota e dando insistentemente números que não condiziam com o que se via de pessoas nas ruas, mas, obviamente, isso só poderia ser fruto de minhas abstêmias alucinações. É. Porque além de ver criaturas pedindo intervenção militar, mulheres nuas e cartazes que ameaçavam a mais concreta das coerências, eu juro que vi o homem aranha jogando sua teia pra pular de prédio em prédio em sobrevoos rasantes sobre a multidão verde-amarela que gritava para ele num frenesi só comparado ao de fãs adolescentes de algum astro pop. Agora começava a ficar interessante: um super herói que raptaria a presidente e salvaria o país era tudo que os domingueiros queriam. Logo após vi um roedor espadachim tilintando sua espada ao lado de um Minotauro e de um Leão sábio contra uma coisa que parecia ser uma ciclovia em pé.  Peguei a pipoca, mas minha alegria durou pouco. Um amigo dilatou minhas alucinadas pupilas e desvendou o delírio: o homem aranha e os animais falantes e guerreiros eram, respectivamente, os personagens dos filmes “O espetacular Homem Aranha”  e “As Crônicas de Nárnia” que estavam sendo apresentados nos intervalos da cobertura das manifestações. Tristemente, deixei a pipoca de lado e caí no sono. Acordei sobressaltado na hora do pesadelo onde a Alemanha fazia o oitavo gol contra o escrete canarinho. Na televisão a torcida verde amarela continuava sua já esvaziada caminhada rumo a um estádio ao qual nunca chegariam.

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